SITUAÇÃO
PROBLEMA:

Nos
foi apresentada uma situação problema que se contextualiza em uma turma
composta por 22 alunos presente em uma determinada escola. Durante avaliações
realizadas, observou-se que 6 dos alunos apresentam algum tipo de necessidades
específicas no processo de ensino-aprendizagem. Após os apontamentos foi
solicitado aos familiares que buscassem acompanhamento médico para que
diagnósticos mais preciso fossem feito, no entanto, durante o processo as
famílias interromperam o acompanhamento e não houve a conclusão do diagnóstico.
Diante disso surge tal indagação: qual o posicionamento que a equipe
docente deve tomar diante de tal
situação de forma com que a inclusão não seja negligenciada a estes alunos?
Para isto, apontaremos algumas perspectivas acerca da função e do papel da
escola assim como o papel do docente, fazendo ponte com aspectos encontrados na
prática cotidiana da educação escolar e com a garantia de uma educação
inclusiva prevista nos documentos normativos.
O início do ano letivo nas
escolas marca os primeiros contatos com os novos estudantes e familiares. Nesse
momento, é comum que o professor ou a equipe pedagógica comecem a “desconfiar”
que um aluno ainda pouco conhecido possa ter alguma deficiência não informada
ou sabida pela família. Em geral, nesses casos, a grande preocupação é correr
atrás de um diagnóstico que confirme tal hipótese. Esforços nesse sentido são
legítimos, principalmente para assegurar direitos. Mas essa, definitivamente, não pode ser a única
providência a ser tomada pela escola. A educação inclusiva pressupõe o
reconhecimento e a valorização das diferenças. Ou seja, cada um tem o direito
de ser como é. Nesse sentido, aspectos relativos ao diagnóstico dos estudantes,
assim como qualquer outra de suas características, não podem ser neutralizados
ou negados. Conhecê-los pode ajudar os educadores a identificar os apoios
necessários para que o aluno participe plenamente e em igualdade de condições
da vida escolar. Além disso, ter um laudo é direito do estudante. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante “oferta de rede de
serviços articulados, com atuação intersetorial, para atender às necessidades específicas da pessoa com
deficiência”, assegurando, especificamente, diagnóstico e atendimento clínico.
FUNÇÃO E O PAPEL DA ESCOLA
A escola emerge como uma
instituição fundamental para a constituição do indivíduo e para ele próprio, da
mesma forma como emerge para a evolução da sociedade e da própria humanidade.
A escola como instituição
social possui objetivos e metas, empregando e reelaborando os conhecimentos
socialmente produzidos.
Traz, portanto, junto de seus objetivos a
formação do caráter, valores e princípios morais, que direcionará o aluno a
utilizar os conhecimentos aprendidos de maneira eficaz, para que sejam
aplicados em favor da sociedade e de uma realidade melhor para todos. É na
escola que a criança começa a conviver com o diferente. Saviani (1997), sobre
esse aspecto, explica que:
[...] o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e
intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida
histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens. Assim, o objeto da educação
diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam
ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que eles se tornem
humanos e, de outro lado e concomitantemente, à descoberta das formas mais
adequadas para atingir esse objetivo. (SAVIANI, 1997, p 3)
O
PAPEL DO PROFESSOR

O professor se constitui como ator fundamental
dentro da escola e se reflete em toda a sociedade, pois ele é um agente ativo
na formação de um cidadão. Além de ser um educador, atuando como gestor de
aprendizagem, o professor tem influência para orientar e motivar seus alunos desde
o primeiro contato do seu filho com a escola. Cabe ao professor, preparar e
ministrar o material didático das aulas conforme orientação e conteúdo
previamente distribuído, aplicar provas, desenvolver trabalhos em aula e
esclarecer dúvidas.
COMO
INCLUIR, COM OU SEM DIAGNÓSTICO?

Apesar
de sua importância, não conhecer o diagnóstico não inviabiliza a inclusão de
nenhuma criança, adolescente ou adulto, qualquer que seja sua deficiência ou
características. É muito mais produtivo procurar investir tempo e esforços
fazendo do que esperando. Mas, fazendo o quê? Antes de qualquer coisa, buscando
conhecer bem o aluno. O ponto de partida para o planejamento de estratégias
pedagógicas inclusivas deve ser, sempre, a singularidade do sujeito, com foco
em suas potencialidades. Não importa se há ou não um diagnóstico de
deficiência. Se, por um lado, é esperado que a proposta curricular seja uma
para todo o grupo, por outro, é imprescindível que as
estratégias pedagógicas sejam diversificadas, com base nos interesses,
habilidades e necessidades de cada estudante. Mas como o professor dá conta
disso? Esse processo não precisa ser solitário. É fundamental que todos os
envolvidos – inclusive os próprios alunos e familiares–
participem. É importante, também, buscar identificar as barreiras à
participação e à aprendizagem presentes na escola para superá-las. Vale
ressaltar a relevância da participação do atendimento educacional
especializado (AEE) nesse processo.
Em
articulação com a equipe escolar e a família, o AEE pode contribuir, por
exemplo, com tecnologias assistivas (TAs),
cujas possibilidades vão desde iniciativas simples, como o velcro que prende o
livro ou o tablet à mesa para que não deslize com os movimentos
involuntários do estudante, até a escolha e aquisição de softwares leitores
de tela. Informações clínicas podem contribuir, mas, na maioria dos casos, não
são suficientes para apontar quais TAs são adequadas para cada contexto. Para
isso, é preciso conhecer os alunos, como pessoas que são, a fim de reconhecer
aspectos que precisam ser compensados por meio de recursos capazes de proporcionar
ou ampliar suas habilidades funcionais.
Havendo
diagnóstico ou não é preciso ir além, segundo afirma a psicóloga Nana Navarro:
Parece
ser uma tarefa oportuna avançar no terreno do trabalho coletivo nas escolas,
partindo da demanda construída diante de alunos que em seus processos de
escolarização colocam em xeque nossos saberes e problematizam o aprendizado e a
convivência. (…) O trabalho pedagógico não pode ser norteado por diagnósticos,
mas por perguntas que nos fazem repensar a escola, sua organização e projetos.
A verdade é que a sensação de
insegurança quando não sabemos o que fazer pode ser muito mais favorável à
aprendizagem dos estudantes do que o contrário. Muitas vezes, quando achamos
que sabemos, partimos de pressuposições baseadas em expectativas que não levam em conta as diferenças
individuais, a singularidade de cada um dos alunos, tenham eles deficiência ou não.
Exercer a docência numa perspectiva inclusiva implica conviver com o
desconhecido, com a descoberta, com “a tentativa e o erro”, em um processo contínuo. Reconhecer o direito de cada um ser como é,
garantindo oportunidades iguais para todos e estratégias diferentes para cada
um, de modo que todos possam participar e aprender, independentemente de sexo,
idade, religião, origem étnica, raça ou deficiência, esse, sim, é o papel da
escola. E quando é assim, a hipótese de deficiência nada mais é do que uma
característica dentre tantas outras que compõe o universo da sala de aula e
orientam o trabalho do professor. Tornando, como diz a especialista britânica
em educação inclusiva Jenny Corbett, o termo especial redundante.
Portanto, a ação da equipe
multidisciplinar, atuando em conjunto profissionais da saúde e
da educação, tem por objetivo o de contribuir de forma significativa para um
planejamento de ações pedagógicas, que trabalhando baseado na necessidade
específica do aluno com possível diagnóstico, possibilite um melhor desenvolvimento
durante o processo de aprendizagem do mesmo.
REFERÊNCICAS:
HAUSCHILD,
Caroline Bacelar . Qual a função da
Escola?. Acesso: https://www.google.com/search?source=hp&ei=Dhe1XMzkBPe35OUPl-irsAg&q=fun%C3%A7%C3%A3o+da+escola&oq=fun%C3%A7%C3%A3o+da+esc&gs_l=psy-ab.1.0.0l10.2242.7492..8986...0.0..0.388.3274.0j2j11j1......0....1..gws-
wiz.....0..35i39j0i131.gUpqbmokork
A
função social da escola a partir da formação de sujeitos históricos. Acesso: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/a-funcao-social-da-escola-a-partir-da-formacaode-sujeitos-historicos/45629
O papel do professor. Acesso: https://www.google.com/search?ei=GBe1XLyrKde_5OUPy9GwiA4&q=o+papel+do+professor&oq=o+papel+do+&gs_l=psy-ab.1.4.0i67j0l9.6428.12871..16397...1.0..4.273.4669.2-20......0....1..gws-wiz.....6..0i71j35i39j0i131.Fe8GiMOcxl8
PAGANELLI,
Raquel. O papel da escola quando há
hipótese de diagnóstico de deficiência. 2018. Acesso: https://diversa.org.br/artigos/o-papel-da-escola-quando-ha-hipotese-de-diagnostico-de-deficiencia/

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